Exagerado, jogado aos seus pés... Desde criança sempre quis ser independente. Desde os 10 anos que fiz um jornalzinho do meu prédio, botava um amigo para vender nos 88 apartamentos daquele edifício da Gávea um semanal que me dava aquele dinheiro para comprar sorvete, ir no cinema.... Não gostava de depender do dinheiro de um pai que não era meu. Inventei rádio pirata, locadora pirata e comecei a fazer festas infantis desde os 12 anos, até começar a morar sozinho com 15 anos e pagar minhas contas, meus estudos, sozinho, desde os 16. Olhava minha felicidade nessa época como a minha independência - depender de quem quer que seja era uma coisa ruim.
E fui conseguindo a independência tão desejada, mesmo depois de voltar a morar em Fortaleza. Esse ápice de "felicidade independente" foi me cansando, pois no final, todos somos dependentes, ninguém mora numa ilha deserta. Quando somos crianças, adolescentes, com mães, irmãos, família ao redor, querendo ditar como deve ser nossa vida, a independência total é um "mar de rosas". Mas essas e tantas outras "rosas" murcham com o tempo, e esse prazer de ser independente, acabou resultando em isolamento, um princípio de solidão.
Depois dos 20 anos, independente, fui atrás de ser feliz de outra forma: encontrando alguém para mim, a "metade da laranja", aquela pessoa pra dividir todos os momentos, para ajudar e ser ajudado, para surpreender e encontrar aquele AMOR sólido que está em livros, filmes e, em alguns casos, na vida real. Fui feliz com diversas pessoas, vivi relações tão intensamente quanto o ápice do começo da minha independência. Cada pessoa que passou era a felicidade plena.... até a infelicidade completa, no fim do relacionamento. Foram raríssimos os casos que não me enterrei numa tristeza profunda no fim de algum namoro.
Hoje estava observando outras coisas. Uma pessoa que conheço, que esperava a felicidade plena na sua carreira de trabalho, até ver desmoronar tudo com uma doença que paralisou suas atividades. Outra que só ficou feliz em sair do Brasil - e agora está lá reclamando de tudo e sem aquela "felicidade" esperada. Esses extremos da vida, essa vontade que temos de ser feliz intensamente, o tempo todo, talvez nos atrapalhe, não nos deixe dar valor às coisas mais simples, que nos fazem bem. E é esse exagero, esses extremos, que tento fugir de alguma forma agora.
Sim, porque, mesmo uma relação, um trabalho, nossa saúde, A VIDA, nada é para sempre. A vida na Terra... porque, para mim, que tenho fé em Deus, acredito que as coisas continuam sim. E continuarei a tentar ter essa felicidade plena, mas não jogando as minhas expectativas apenas em únicos objetivos, comigo ou com alguém. Adoro um amor inventado, como Cazuza, mas o amor verdadeiro é muito melhor. E entre ser enganado, e ficar suportando, prefiro causar um tumulto, mesmo que eu fique mal logo em seguida - mas evito um sofrimento pior no futuro. Não é nada pensando, nenhuma estratégia. É por osmose mesmo.
Prefiro causar um sofrimento verdadeiro do que viver uma felicidade falsa. Tem pessoas que pulam fora da minha vida, porque não conseguem, nem nunca conseguirão, enganar o tempo todo, nem suportarão o tumulto que sempre irei causar quando tentarem me fazer mal.
Continuarei a minha vida sem tantos extremos, pois podemos escolher vários caminhos, mas o nosso destino pertence a Jesus Cristo, e é isso que eu acredito, sempre acreditei, e sempre acreditarei. Obrigado meu Deus por mais esse dia!
terça-feira, 17 de junho de 2014
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