segunda-feira, 9 de junho de 2014

NADA COMO UM DIA APÓS O OUTRO

Meu fim de semana estava lá. Segundo sem ele, mais uma vez perdido, querendo me encontrar. Não sei, mas acho que me jogo em abismo infinito quando uma relação termina... e vou tentando encontrar o caminho de volta - mas não tem volta! Eu já caí no abismo! Ele dizia que isso era ser boderline, na psicologia. Será que sou assim?

Não me prendo a rótulos, aliás, minha primeira vontade era ter relação com mulher, já que estava cansado de adotar gays novos para ajudá-los a se encontrarem na vida. E depois que se encontram, não precisavam mais de mim. Mas estaria sendo radical, idiota, egocêntrico e rídiculo se eu pensasse que todas as minhas relações foram isso. Não foram. Foram amores verdadeiros, pessoas importantes, especiais, que passaram na minha vida, e me deixaram marcas. Alguns são meus amigos até hoje, outros nem tanto. Mas todos foram especiais em seu devido momento.

E amigos são especiais também, e foi isso que decidi curtir, mesmo ligando váarias vezes para ele, e ficando várias vezes triste ao dia: meus amigos, minha vida, meus momentos bons e conhecer pessoas - um talento e um prazer que tenho desde sempre. Na sexta foi inesquecível ver Supla numa casa noturna praticamente vazia. Até fumar unzinho e passar a bola para alguns da plateia, o querido Supla fez. E esses shows, para poucos e bons, é que são mesmo inesquecíveis. Reencontrei Jack (Jacaré), um artista plástico que tem casa ali ao lado da House of Sensations, que trabalhou comigo na Mystical, fazendo máscaras e outras intervenções na boate. Ele estava logo na porta da HOS com Carlão do Crato, um radialista mutcho louco, e com um dos "sócios" do local que eu nem conhecia, Paulo Benevides. Jack é um grande artista, já viajou o mundo, a maior obra artística de rua de Ibiza é dele. E me chamou para passar uns dias na casa dele de Guaramiranga... aaaa Guaramiranga! Como seria bom! Tomamos algumas cervas na porta, rimos bastante de algumas histórias, e entramos na casa quase vazia, onde conheci o som de uma banda que já tinha ouvido muito falar: Leite de Rosas e os Alfazemas. Eles fazem uma versão rock dos clássicos do cancioneiro brega. Entrei com aquela minha tristeza de estar numa casa vazia, sem aquela pessoa, e um coração vazio, ouvindo "Não está sendo fácil". Achei que seria um martírio essa noite. Mas acabou que não foi! Pirei, adorei as bandas, fiz fotos de gente bonita, e reencontrei um cara que fez parte de um treinamento que eu fazia no Acquaville Resort, quando eu era coordenador de OPC! Fiz vídeo irados do show do Supla! Ele convidou a galera pra subir no palco e acompanhar o show dele e do irmão de pertinho, e a banda Brothers of Brazil tem um repertório do caralho! Foi uma noite emocionante.

Voltei pensando, às vezes até conversando, bêbado, com ele, mesmo não estando ao meu lado. Me lembro de dizer "Está vendo o que você perdeu? Queria tanto estar ao seu lado"... e ligava, ligava. Liguei o fim de semana todo, pra casa, pro celular, que ele me bloqueou... feito um abestado! No sábado, após chegar 5h da manhã mutcho louco, acordei 14h. Fiz algumas coisas do blog e fui a Praia do Futuro. Queria dar um mergulho, e chegando lá, a primeira barraca que vejo, era aquela que eu sempre estava com ele, almoçando: Água na Boca. Entrei, pedi para um cara que estava bebendo sozinho que segurasse minhas coisas, para eu dar um mergulho. Rezei, agradeci a Deus pela minha vida, e chorei pensando na carinha dele de felicidade quando mergulhava. Sim, porque, quase toda vez que ele vinha a praia comigo, ele não gostava muito de mergulhar. E eu pertubava, até ele cair na água, e quando entrava no mar, abria um sorrisão de criança, que me deixava imensamente feliz.

Quando volto do mar, o cara abre um sorriso, e pergunta: "Mas já voltou? O mar estava ruim?". E percebo que ele estava chorando também. Começamos um papo que nem me lembro direito como começou. Ele era hétero, 30 e poucos anos, gerente de vendas de uma empresa, tinha terminado um casamento de sete anos, já estava com outra... conversamos muito. Sobre as minúcias de uma relação amorosa, sobre nossas vidas, sobre o apoio que, nós dois, estranhos, acabamos nos dando com a conversa. Falei que após tantos gays, nem pensaria duas vezes em ter relação com alguma mulher moderna, que quisesse construir algo, ter filhos. Pouca gente acredita, mas me amarro em mulher... infelizmente, elas são muuuito complicadas e a maioria delas se amarra mesmo é em dinheiro! O ideal seria um casal - casamento a três! kkkkkkk   Ficamos amigos e saímos muito doidos da praia, de noite, e acabei nem indo ao lançamento da revista que eu iria, pois já tinha chegado tarde da praia, queria ver o espetáculo Cazuza.

Chegando no Cazuza, sozinho, cansado, bêbado e triste ainda, não aguentei as primeiras músicas, e fui embora. dormi o domingo todo. Acordei novo de novo na segunda. Não queria mais ir atrás dele, nem ligar pra ele. Espero que Deus tenha me dado mesmo essa redenção, e acabado com esse amor. Hoje meu dia foi ótimo e não teve quase nenhuma tristeza. Um dos meus melhores amigos passou lá em casa, conversamos, rimos a tarde toda, eu trabalhei, fomos a inauguração de um restaurante e ao lançamento do Festival do Camarão.  E sempre conversando com amigos, pessoas interessadas... o problema é que, como falei para um que me chamou a atenção, a cada relação ficamos mais exigentes. Mas, nada como um dia após o outro, uma conversa após a outra....

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